Uma auditoria SEO, AEO e GEO verifica se o site pode ser rastreado, indexado, compreendido e usado como fonte. O diagnóstico começa na busca clássica, cobre mecanismos que extraem respostas e chega às experiências generativas. Não são três projetos isolados: conteúdo inacessível ao crawler também não participa de respostas; uma entidade ambígua também reduz a capacidade de relacionar a página a uma consulta.
O resultado útil não é uma exportação de erros. É uma relação entre evidência, impacto, esforço e dependência técnica, com indicação do que corrigir primeiro e de como confirmar a correção.
Enquadramento
As três camadas: SEO, AEO e GEO
SEO melhora descoberta e apresentação em resultados de busca. AEO organiza respostas para consultas diretas. GEO trabalha a clareza e a verificabilidade necessárias para sistemas generativos encontrarem, entenderem e eventualmente citarem uma fonte. A base técnica, a arquitetura e a qualidade editorial atravessam as três.
| Camada | O que otimiza | Sinais observados | Como medir |
|---|---|---|---|
| SEO · busca clássica | Rastreamento, indexação, relevância, experiência e apresentação da página na busca. | Status HTTP, canônico, links, conteúdo, Core Web Vitals, dados estruturados e correspondência com a intenção. | Search Console, crawl, logs, testes de renderização, Lighthouse e acompanhamento de consultas e páginas. |
| AEO · motores de resposta | Trechos que respondem perguntas com precisão e podem ser extraídos sem perder o contexto. | Resposta direta, heading descritivo, listas ou tabelas adequadas, definições consistentes e fonte identificável. | Inspeção das SERPs, featured snippets, People Also Ask, testes de extração e cobertura das perguntas reais. |
| GEO · busca generativa | Compreensão de entidade, recuperabilidade e citabilidade em respostas compostas por modelos. | Acesso dos crawlers, texto indexável, autoria, evidência original, referências, consistência de fatos e estrutura semântica. | Testes repetíveis por consulta, análise das fontes citadas, logs de bots e métricas de referência; sem confundir aparição pontual com garantia. |
A sequência importa. GEO não corrige uma página bloqueada por `noindex`; AEO não compensa uma resposta incorreta; schema não substitui o conteúdo visível. A auditoria usa a camada anterior como pré-condição da seguinte.
Camada 1
SEO técnico: o terreno que precisa estar coberto
O crawl produz o mapa inicial, mas cada alerta precisa de contexto. Uma URL bloqueada pode ser intencional; um redirect pode ser correto; uma página sem tráfego pode cumprir função de suporte. O diagnóstico cruza sinal técnico, intenção e papel da URL.
Rastreamento, indexação e controle de URLs
- Crawlabilidade — um rastreador percorre links internos e registra status, profundidade, páginas órfãs, recursos bloqueados e caminhos que criam armadilhas. Logs do servidor mostram o que os bots realmente solicitaram, não apenas o que poderiam solicitar.
- Indexação — sitemaps e amostras da Search Console separam URL descoberta, rastreada, indexada, duplicada ou excluída. A inspeção compara HTML público, renderizado e canônico selecionado.
- Robots.txt e meta robots — `robots.txt` controla rastreamento, não é método confiável para remover uma página do índice. `noindex` precisa estar acessível ao crawler para ser lido. Regras são confrontadas com a intenção de cada conjunto de URLs.
- Sitemap XML — deve conter URLs canônicas, indexáveis e bem-sucedidas. Datas de modificação precisam representar mudança real; misturar redirects, erros e duplicatas transforma o sitemap em sinal contraditório.
- Canônicos — são analisados junto a links internos, sitemap, redirects e conteúdo. Um `rel=canonical` apontando para outra URL é uma indicação, não ordem; sinais conflitantes deixam a seleção para o buscador.
- Redirects — cadeias, loops, destinos genéricos e uso indevido de temporários são identificados. Links internos devem apontar diretamente ao destino final para reduzir etapas e consolidar sinais.
Renderização, performance e semântica
- Core Web Vitals — dados de campo da CrUX e da Search Console mostram experiência real quando há amostra; Lighthouse ajuda a diagnosticar laboratório. LCP pede investigação da imagem ou bloco principal, fontes e caminho crítico; INP exige localizar tarefas e handlers; CLS pede reservar dimensões e controlar conteúdo tardio.
- JavaScript — o HTML inicial é comparado ao DOM renderizado. Links, texto, canônicos e dados estruturados que dependem de execução podem chegar tarde, falhar ou variar para o crawler. Também se procura hidratação excessiva e chamadas que bloqueiam a informação principal.
- Headings — um H1 identifica o assunto principal e H2/H3 organizam relações. A auditoria procura títulos vazios, repetidos, usados só por estilo ou com saltos que confundem a estrutura.
- Dados estruturados — o JSON-LD é parseado, confrontado com o conteúdo visível e validado segundo o tipo de resultado pretendido. Propriedade existente no schema.org não implica suporte a rich result no Google.
- Links internos — âncoras, profundidade, páginas órfãs e distribuição por contexto mostram quais URLs o site prioriza. Menu e rodapé dão cobertura; links editoriais explicam a relação semântica entre os assuntos.
- Conteúdo raso ou duplicado — páginas são agrupadas por intenção, template e sobreposição textual. O problema não é um número mágico de palavras, e sim não responder o suficiente, repetir outra URL ou não oferecer motivo para indexação independente.
Arquitetura e qualidade operacional
- Paginação — cada página precisa de URL rastreável e canônico próprio quando contém itens diferentes. Links sequenciais em elementos `a` permitem descoberta; botões que dependem de interação não bastam para o crawler.
- Hreflang — versões regionais ou de idioma são verificadas em pares, com códigos válidos, retorno recíproco e canônico coerente. A anotação aponta equivalentes; não corrige tradução incompleta nem redirecionamento geográfico forçado.
- Segurança — HTTPS, conteúdo misto, cabeçalhos, páginas invadidas e recursos inseguros entram na análise porque alteram acesso e confiança. A auditoria SEO identifica o efeito observável e encaminha vulnerabilidades para avaliação de segurança apropriada.
- Acessibilidade — HTML semântico, nomes acessíveis, navegação por teclado, contraste e alternativas de imagem são amostrados. Acessibilidade não é fator resumido a uma nota, mas marcação clara também reduz ambiguidades para navegadores e sistemas de extração.
- Logs e erros de aplicação — frequência de 5xx, tempo de resposta, limites de crawler e padrões por template mostram problemas que um crawl pontual pode não reproduzir. Eventos são correlacionados com deploys e mudanças de infraestrutura.
Em operações com catálogo, filtros e variações, o diagnóstico aprofunda as regras descritas em SEO para e-commerce. Se a correção exigir troca de infraestrutura, o runbook de migração de servidores preserva os sinais durante o corte.
Camada 2
AEO: preparar respostas para extração sem empobrecer o texto
Featured snippets e blocos de People Also Ask costumam favorecer uma passagem que resolve a pergunta perto de um heading correspondente. A resposta inicial deve funcionar sozinha; os parágrafos seguintes explicam condição, exceção e aplicação. Isso não significa escrever frases artificiais para o robô, e sim reduzir a distância entre pergunta e resposta.
- Definições — começam pelo termo e pela classe: “TTL é o tempo pelo qual uma resposta DNS pode ficar em cache”. Depois vêm efeitos e limites.
- Processos — usam uma lista ordenada quando a sequência muda o resultado. Cada etapa precisa de verbo, objeto e critério, não apenas um nome genérico.
- Comparações — ganham tabela quando as mesmas dimensões se repetem. Colunas devem responder à decisão, não acumular atributos irrelevantes.
- Perguntas frequentes — consolidam objeções reais com resposta curta e coerente com o corpo. Repetir dezenas de variações da mesma pergunta cria ruído, não cobertura.
Dados estruturados devem representar conteúdo visível e verdadeiro. Em 2026, o Google deixou de exibir o rich result genérico de FAQ e o resultado de HowTo já havia sido descontinuado; por isso `FAQPage` ou `HowTo` não devem ser vendidos como atalho visual. Eles ainda podem descrever a informação para consumidores compatíveis, mas a estrutura editorial precisa se sustentar sem a promessa de um recurso de SERP.
Camada 3
GEO: acessibilidade, entidade e conteúdo citável
AI Overviews e AI Mode fazem parte do Google Search. A orientação pública do Google é direta: as práticas fundamentais de SEO continuam válidas, não existe schema especial nem arquivo adicional obrigatório para aparecer nesses recursos. A página precisa estar indexada e elegível para snippet, mas cumprir os requisitos não garante inclusão ou citação.
Crawlers têm funções diferentes
A auditoria lê `robots.txt`, respostas do CDN e regras do WAF por agente. Para ChatGPT, `OAI-SearchBot` é o crawler ligado à descoberta em resultados de busca; `GPTBot` controla o uso potencial em treinamento. Permitir um e bloquear o outro é uma política válida, pois as funções são independentes. `ChatGPT-User` atende visitas iniciadas por usuário e não substitui o crawler de busca.
No Perplexity, `PerplexityBot` participa da descoberta para resultados, enquanto `Perplexity-User` atende solicitações iniciadas por pessoas. `Google-Extended` controla uso em treinamento de modelos Gemini e grounding em produtos específicos, mas não decide inclusão ou ranking no Google Search. Bloqueio acidental por firewall pode invalidar uma permissão correta no arquivo.
Entidade clara e fonte verificável
Nome, organização, autor, serviço e relações precisam ser consistentes no texto, nos dados estruturados e nas páginas institucionais. Uma entidade não se torna clara pela repetição mecânica da marca; ela se torna clara quando o site explica quem publica, sobre o quê, com quais fontes e como os conteúdos se conectam.
Citabilidade vem de informação que merece ser referenciada: método explícito, dado original autorizado, definição precisa, tabela que normaliza uma comparação ou explicação técnica que deixa condições visíveis. Texto genérico recompõe o que já existe e oferece pouco motivo para ser fonte. Evidência própria deve ser verificável; quando ela ainda não existe, é melhor assumir a lacuna do que fabricar um caso.
Sistemas generativos também podem recuperar trechos fora de contexto. Por isso afirmações importantes carregam sujeito, escopo e ressalva no mesmo bloco. Conteúdo sobre RAG e grounding ajuda a entender essa cadeia de recuperação; o artigo sobre arquiteturas avançadas de grounding aprofunda as diferenças entre recuperação, geração e validação.
Runbook
Como a auditoria é feita na prática
- Definir escopo e objetivos — separam-se domínio, subdomínios, países, tecnologias, tipos de página e conversões. Também são registradas migrações, mudanças recentes e restrições de acesso.
- Construir a baseline — Search Console e analytics mostram consultas, páginas, dispositivos e tendências. Sitemaps, robots, canônicos e amostras de HTML registram o estado antes das correções.
- Rastrear e renderizar — o crawler mapeia URLs e relações; amostras com JavaScript verificam o que depende do navegador. Logs e inspeção de URL confirmam o comportamento dos bots.
- Medir performance — Lighthouse reproduz cenários de laboratório e aponta causas; dados de campo mostram experiência agregada quando disponíveis. A análise liga a métrica ao recurso, template e etapa de carregamento.
- Validar conteúdo e schema — headings, intenção, duplicidade, links e respostas são revisados por tipo de página. JSON-LD é parseado, confrontado com o texto e testado segundo a documentação do recurso.
- Testar AEO e GEO — perguntas são agrupadas por intenção, passagens são avaliadas fora de contexto e políticas de crawler são verificadas. Aparições generativas são tratadas como observações reproduzíveis, não como ranking estável.
- Priorizar e especificar aceite — cada item recebe impacto, esforço, risco, dependência e evidência. A recomendação inclui condição de aceite para que uma nova execução prove se o problema foi removido.
A priorização evita começar pelo alerta mais fácil. Um erro que impede indexação de uma categoria estratégica tende a preceder ajustes cosméticos; uma correção global de template precede edições manuais em URLs derivadas dele. Impacto e esforço são lidos junto ao risco de regressão.
Saída do diagnóstico
O que você recebe
- Resumo executivo — explica os bloqueios principais, a consequência e a ordem recomendada sem exigir leitura de todas as evidências técnicas.
- Backlog técnico priorizado — organiza achado, URLs ou template afetado, evidência, recomendação, impacto, esforço, dependências e critério de aceite.
- Anexos de evidência — reúnem exports, amostras, screenshots, respostas HTTP, testes de schema e referências necessárias para reproduzir o diagnóstico.
- Plano de medição — define quais indicadores observar depois da implantação e qual comparação confirma avanço ou revela regressão.
O trabalho pode terminar no diagnóstico ou seguir para execução das correções, conforme o escopo aprovado. Quando outra equipe implementa, os critérios de aceite reduzem ambiguidade e permitem uma validação independente.
Escopo comercial
O que determina o preço de uma auditoria SEO
O preço varia principalmente com o número e a diversidade de URLs, a quantidade de templates, a presença de JavaScript, os países ou idiomas, o acesso a dados e logs e a profundidade esperada em AEO e GEO. Um catálogo com muitas variações pode exigir amostragem e regras por conjunto; um site menor pode demandar investigação profunda de renderização ou migração.
Também muda o escopo incluir execução, apoio à equipe, nova validação e acompanhamento após as correções. Separar diagnóstico de implementação deixa claro o que está sendo estimado e evita tratar uma exportação automática como auditoria completa.